Depois de muita estrada de chão, chegamos em um vilarejo onde o tempo parece que não passou. Por aqui não existe agência bancária nem caixa eletrônico. Assim, não é difícil imaginar como é o comércio: sempre que possível na base do escambo. Para o que não é possível - sal, açúcar e trigo - dinheiro vivo… já viu, né? O povo aqui ainda guarda dinheiro debaixo do colchão.
Não raro alguém supostamente rico se descobre pobre porque a moeda mudou ou a nota foi tirada de circulação. O Careca contou o caso da senhora que mora na roça e só ia ao vilarejo 2 vezes por mês. Numa dessas, fez a compra de mantimentos e pagou tudo com notas de 1 real, que na época estavam saindo de circulação. Para a sorte dela, a dona do mercado a avisou e disse a ela que trouxesse todas as notas de 1 real para trocar… Quantos não tiveram a mesma sorte e perderam pequenas fortunas porque não tiveram acesso a comunicação… Em boa parte desses lugares não há energia elétrica nem TV ou rádio, e muito menos internet.
O passeio, chamado de Gigantes, é um longo percurso 4x4 por estradinhas de chão em uma área conhecida como Circuito das Montanhas da Serra da Mantiqueira. Começa em Maringá de Minas, localizada a cerca de 1100 metros de altitude e sobe até os 1800 metros, no alto do Mirante da Serra Verde. No percurso, há paradas nas vilas de Mirandão e na de Santo Antônio do Rio Grande, na Fazenda Paiol, onde vendem queijo parmesão, geléias e doce de leite, na Cachoeira 5 Estrelas e no Restaurante da Leila, no Vale das Flores.
O passeio é uma boa opção para conhecer um pouco dessa região e pode ser feito por pessoas de todas as idades e condicionamento físico.
É até interessante ver surgir as vilas - Mirandão e Santo Antônio do Rio Grande -, com calçamento nas ruas e no meio do nada, quando não há nenhuma estrada de asfalto ou paralelepípedo ou algum outro calçamento até ali. Só estrada de terra mesmo. E olha que uns pedaços estão bem ruins! Outra coisa interessante é que todo mundo se conhece na cidade.
Em uma dessas paradas, tive uma prosa com um senhor sobre a tecnologia empregada na criação de trutas! Ele era o dono de uma criação de trutas e estava explicando a dificuldade e a tecnologia necessária para antecipar a desova. Neste processo, as trutas encontram as águas mais quentes do que o normal, então torna-se necessário resfriar a água. Só que aí tem que se ter o cuidado para não contaminar a água… e daí por diante… Já viu né? Ainda tive uma aula ao vivo de Discovery Channel! Bacana! :)
O nosso Land Rover subiu até o alto do Mirante da Serra Verde, de onde se tem uma vista de 360 graus de toda aquela região da Serra da Mantiqueira. O guia me perguntou se a minha câmera tirava fotos de 360 graus, e quando eu disse que sim, ele me perguntou se não gostaria de subir no Land Rover para fazer a panorâmica… DEMOROU!!! É lógico que subi, né?
Durante o passeio também pudemos avistar a Pedra Selada, uma das atrações de ecoturismo da região. Aliás, vale observar que durante a subida de Penedo para Visconde de Mauá, há uma placa na rodovia indicando “Pedra Selada”. No entanto, esta indicação refere-se à Vila da Pedra Selada. A atração de ecoturismo de mesmo nome fica para outro lado, depois de Maringá.
Outra curiosidade que pode ser observada durante o passeio, é a presença de construções com telhado verde, ou seja, com uma gramínea no telhado, no mesmo estilo das encontradas nos países nórdicos e já comentados aqui neste blog.
Ainda fizemos uma parada na Cachoeira 5 Estrelas, bem bonita por sinal.
Já na volta, passamos na fazenda e depois no Restaurante da Leila, com acesso somente por estrada de chão, e por onde já havíamos passado para "encomendar" o almoço.
Vale dizer que enfim chegamos a um lugar onde o $urreal ainda não se fez presente! Nosso almoço acabou sendo só lá pelas 17hs. Comemos filé de peito de frango grelhado, com um acebolado com pimentão, acompanhado de arroz, feijão, farofa, batata-frita e salada de alface, tomate e pepino. Tudo muito bem servido (deu para 3 pessoas). Dividimos uma garrafa de cerveja (garrafa mesmo, não essas long neck). De sobremesa, doce de abóbora com côco (me recuso a seguir o novo acordo ortográfico e não acentuar essa palavrinha). Ah! E ainda tinha pinga à vontade de cortesia! E da boa! Tudo isso por menos de 50 reais! Não, não foi 50 reais por pessoa, a conta TODA foi 50 reais. :)
Durante o almoço, finalmente a chuva nos alcançou. Choveu bem forte, mas apesar disso a volta foi tranquila. Chegamos a nosso hotel lá pelas 19:30, e seguindo a dica do guia, fomos até a operadora de turismo e pegamos o mapa detalhado da região, que o nosso guia Careca ajudou a fazer.